Hoje percorro a vida de olhos meio abertos,
com os dentes cerrados,
os punhos fechados,
o passo acelerado,
com os ouvidos entupidos por tudo o que antes ouvi,
a pele impregnada por tudo o que antes me tocou…
Mas aguardo ansiosamente,
o momento,
por poder abrir os braços para aquele abraço que se reflectirá nos olhos de quem realmente nos aceita como somos sem fazer perguntas...
domingo, 14 de dezembro de 2008
... " Há dias assim "...
Há dias em que realmente nos sentimos muito sós.
Nesses dias opto por ter uma cozinha em perfeito desalinho,
mas apenas para mim,
e se no fim ainda sentir coragem vou passear o corpo já meio vazio para um lugar,
aonde no fundo do copo encontre o sorriso que é meu...
Nesses dias opto por ter uma cozinha em perfeito desalinho,
mas apenas para mim,
e se no fim ainda sentir coragem vou passear o corpo já meio vazio para um lugar,
aonde no fundo do copo encontre o sorriso que é meu...
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
..." Declaro " ...

Hoje, num dia qualquer de qualquer ano,
Em qualquer século,
Na posse de todas as minhas plenas faculdades mentais e físicas
E assumindo enquanto vivo e escrevo...
Em qualquer século,
Na posse de todas as minhas plenas faculdades mentais e físicas
E assumindo enquanto vivo e escrevo...
Declaro que me declaro culpado.
Culpado de tudo que não disse,
De tudo que não vi nem ouvi,
Das palavras que não disse a tempo
E das outras, que nunca aprendi.
Preocupei-me por coisas que jamais aconteceram
E passei grande parte da minha vida
Em lugares errados, em horas erradas,
Com pessoas erradas.
Declaro que cheguei tarde a todos e em todos os lugares,
Em que nunca estive antes.
Que encontrei a primavera florida,
A terra repartida
E o céu prometido...
Que tudo o que tenho é mais do que me faz falta
Que no que acreditava, não acredito mais...
Que cometi o pior dos erros:
Sonhei num mundo de pesadelos.
Declaro também, que não há nada mais certo
Que a nossa passagem pela vida
Nem nada é mais falso do que nossa vida a passar.
Que é feliz aquele que não quer nada,
Que não sabe nada, que não se pergunta por nada
E que não se dá conta de nada.
Que de uma mão temida
Pode vir a surgir o amor nela contido
Que tudo que não se da, não se acumula, se perde.
Que somos no final de tudo,
Escravos de algum vício
Ou de alguma virtude.
Que tenho sido fiel somente as minhas dúvidas.
E que o homem mais livre que conheci,
Era preso ao coração de uma mulher.
Gian Franco Pagliaro - "Declaración"
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